terça-feira, abril 28, 2009

00:47
eu estou sentada num bar escuro e enevoado pela fumaça dos cigarros e charutos acesos ao meu redor. Minha mesa é a de um canto bem perto do palco improvisado, e eu estou sentada só. Com a mão direita apoiando o queixo e a mão esquerda segurando mais um dos cigarros inebriantes, nem tenho consciência de que existo. A única coisa que se mostra em movimento é a banda. Charles Mingus de olhos fechados, dedilhando seu contra-baixo antiquíssimo, macio, ondulante, alcalino. Meus amigos conversam um pouco entre si, todos músicos, comentando os intervalos e escalas, ou a ausência deles. De vez enquando, desvio um pouco a minha atenção para a conversa, rindo de alguma piada ou comentando alguma observação feita.

Na mesa atrás da minha, está um grupo de homes de meia-idade jogando pôquer. Um barbudo gordo com um chapéu-côco preto e cabelos batendo nos ombros, um magrelo alto com a face encovada, um nem gordo nem magro, a barba perfeitamente feita, suspensórios vermelhos, blusa branca de botão e mangas compridas, olhar sevagem e boca encrispada. Esse último, tira o charuto da boca, cospe e o põe de volta, mordendo a ponta e olhando mais uma vez suas cartas. Ele aumenta a aposta.

Na mesa do meu lado (esquerdo, já que eu estou encostada na parede do lado direito), está sentado um negro com a cabeça raspada, o seu chapéu em cima da mesa, um tatuagem de um símbolo, possivelmente celta, que eu não sei o que significa. Ele usa blusa de botão sem manga e calças plissadas cinza. Uma moça vstida de preto, com longos cabelos encaracolados e pele muito branca chega e senta ao seu lado.

Na mesa à frente do recém-composto casal, está aquele que desviou minha atenção por um período mais longo, e que vou chamar de Y: cabelos compridos escuros, olhos profundos e vidrados na banda, sobrancelhas expressivas e pés marcando o tempo da música. Ele fuma um cigarro atrás do outro, marca o tempo da música com os pés, ensaia uns dedilhados com a mão livre, e sua expressão denuncia anos e anos a mais do que seu corpo aparenta. Em sua mesa estão sentados outras pessoas. Elas bebem e conversam, riem e se movimentam. A única pessoa que parece estar alheia à tudo é Y, que mal pisca os olhos.

Ele parece a síntese do som, grave e introspectivo, sensível e bruto. Ele levanta e vai ao banheiro, e seus movimentos parecem ditados pela harmonia e pelo ritmo. Ele se chama, finalmente descubro, Summertime...

E ele é composto de contra-baixo, piano e bateria.
e eu o amei
:)

quarta-feira, abril 22, 2009

poema do allan poe, lindo =) the raven, o mais conhecido dele

The Raven *(by Edgar Allan Poe,first published in 1845)
Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,As of someone gently rapping, rapping at my chamber door." 'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door;
Only this, and nothing more."
Ah, distinctly I remember, it was in the bleak December,And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.Eagerly I wished the morrow; vainly I had sought to borrowFrom my books surcease of sorrow, sorrow for the lost Lenore,.For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore,
Nameless here forevermore.
And the silken sad uncertain rustling of each purple curtainThrilled me---filled me with fantastic terrors never felt before;So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating," 'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door,Some late visitor entreating entrance at my chamber door.
This it is, and nothing more."
Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,"Sir," said I, "or madam, truly your forgiveness I implore;But the fact is, I was napping, and so gently you came rapping,And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,That I scarce was sure I heard you." Here I opened wide the door;---
Darkness there, and nothing more.
Deep into the darkness peering, long I stood there, wondering, fearingDoubting, dreaming dreams no mortals ever dared to dream before;But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,And the only word there spoken was the whispered word,Lenore?, This I whispered, and an echo murmured back the word,
"Lenore!" Merely this, and nothing more.
Back into the chamber turning, all my soul within me burning,Soon again I heard a tapping, something louder than before,"Surely," said I, "surely, that is something at my window lattice.Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore.Let my heart be still a moment, and this mystery explore.
" 'Tis the wind, and nothing more."
Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,In there stepped a stately raven, of the saintly days of yore.Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;But with mien of lord or lady, perched above my chamber door.Perched upon a bust of Pallas, just above my chamber door,
Perched, and sat, and nothing more.
Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,By the grave and stern decorum of the countenance it wore,"Though thy crest be shorn and shaven thou," I said, "art sure no craven,Ghastly, grim, and ancient raven, wandering from the nightly shore.Tell me what the lordly name is on the Night's Plutonian shore."
Quoth the raven, "Nevermore."
Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,Though its answer little meaning, little relevancy bore;For we cannot help agreeing that no living human beingEver yet was blessed with seeing bird above his chamber door,Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,
With such name as "Nevermore."
But the raven, sitting lonely on that placid bust, spoke onlyThat one word, as if his soul in that one word he did outpour.Nothing further then he uttered; not a feather then he fluttered;Till I scarcely more than muttered,"Other friends have flown before;On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before."
Then the bird said,"Nevermore."
Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,"Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and store,Caught from some unhappy master, whom unmerciful disasterFollowed fast and followed faster, till his songs one burden bore,---Till the dirges of his hope that melancholy burden bore
Of "Never---nevermore."
But the raven still beguiling all my fancy into smiling,Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird and bust and door;,Then, upon the velvet sinking, I betook myself to linkingFancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore,What this grim, ungainly, ghastly, gaunt, and ominous bird of yore
Meant in croaking, "Nevermore."
Thus I sat engaged in guessing, but no syllable expressingTo the fowl, whose fiery eyes now burned into my bosom's core;This and more I sat divining, with my head at ease recliningOn the cushion's velvet lining that the lamplight gloated o'er,But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o'er
She shall press, ah, nevermore!
Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censerSwung by seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor."Wretch," I cried, "thy God hath lent thee -- by these angels he hathSent thee respite---respite and nepenthe from thy memories of Lenore!Quaff, O quaff this kind nepenthe, and forget this lost Lenore!"
Quoth the raven, "Nevermore!"
"Prophet!" said I, "thing of evil!--prophet still, if bird or devil!Whether tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,Desolate, yet all undaunted, on this desert land enchanted--On this home by horror haunted--tell me truly, I implore:Is there--is there balm in Gilead?--tell me--tell me I implore!"
Quoth the raven, "Nevermore."
"Prophet!" said I, "thing of evil--prophet still, if bird or devil!By that heaven that bends above us--by that God we both adore--Tell this soul with sorrow laden, if, within the distant Aidenn,It shall clasp a sainted maiden, whom the angels name Lenore---Clasp a rare and radiant maiden, whom the angels name Lenore?
Quoth the raven, "Nevermore."
"Be that word our sign of parting, bird or fiend!" I shrieked, upstarting--"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!Leave no black plume as a token of that lie thy soul spoken!Leave my loneliness unbroken! -- quit the bust above my door!Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!"
Quoth the raven, "Nevermore."
And the raven, never flitting, still is sitting, still is sittingOn the pallid bust of Pallas just above my chamber door;And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming.And the lamplight o'er him streaming throws his shadow on the floor;And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted--- nevermore!

quarta-feira, abril 08, 2009

260 postagem: uma ficção inspirada em fatos reais. Ler escutando Charles Mingus: Goodbye pork pie hat

meu relógio progride sem o tic tac. Fica lá, pendurado na minha parede, mudo, vítima dos lampejos dos meus olhos quando estou observando a fumaça do meu cigarro. Um relógio moderno, digital, mas barato. Tem umas duas luzes neon queimadas, que eu gosto porque me confundem quando vejo as horas.
Enquanto a chuva arrasa o mundo microscópico, seu som retumbando como se quisesse demonstrar a guerra em miniatura que está acontecendo lá fora, eu estou deitada, calma em meus lençóis, escutando um jazz regado a whisky, ruminando os acontecimento do final de semana passado.
Eu sempre achei que tinha nascido na cidade errada, no século errado, e que tenho a idade física errada pros meus 17 anos. Não aguento mais sair e encontrar meus amigos fúteis, presos em suas vidas fúteis e supostamente livres. Uma classe média cheia de pseudo-cultura, de peudo-conversas sobre os acontecimentos internacionais mal contados pelos jornais, de pseudo-conhecimento sobre música, livros e revistas pseudo-underground. Será que ninguem vê que o anti-popular é popular hoje em dia? Será que ninguém vê que não tem mais lugar pra loira burra que todos tanto queriam no século passado?
Mais uma vez a juventude acha que está superando seus pais, que está sendo revolucionária, que gostar do que os outros não gostavam a torna melhor, diferente. Mas ao contrariar as idéias dos nossos progenitores, estamos meramente nos rendendo a Darwin.
Nosso caminho regado a drogas só nos faz permanecer num estado latente de vida. Somos como o plâncton no mar, somos levados pela correnteza, e achamos que fazendo arte, estamos nos libertando.

Mas na verdade, o ato de criar pensamentos tocáveis nos afasta cada vez mais uns dos outros...
criamos nossos mundos, interpretando fatos e acontecimentos, e nos negamos a permanecer juntos. Cada pessoa quer ter uma idéia original que os torna únicos, mas a verdade é que isso só serve pra nos segregar em raças, países, grupos e, por fim, universos isolados, impossíveis de unir.


A chuva cai, o mundo microscópico pulsa, se agita, o relógio é a síntese do tempo, que passa e nos arrasta consigo, e achamos que sendo únicos nós marcaremos o mundo de alguma forma. Mas a realidade é justamente o oposto...


cansei de falar sobre isso.
essa música do john coltrane é muito agitada... porra de flauta chata. mingus é bem melhor...

agora, sim...
enfim. os acontecimentos do final de semana passado... nada demais. coisas vieram, coisas se foram, nada mudou. ou mudou, porque sempre acaba mudando alguma coisa a cada segundo. eu mudei, porque não consigo mais ver as coisas como eu via há duas semanas. o problema é que isso é uma coisa cíclica... não consigo sair desse lugar. o que será que eu preciso fazer?
Mudar.

primordialmente, é isso.
Mas como?

Tentando até conseguir.

Primordialmente, é isso. Mas COMO?

vê a redundância na idéia?
:)

segunda-feira, abril 06, 2009

eu tava pensando aqui...
em como eu sou do contra.

se eu nao posso uma coisa, quero
quando eu tenho, não quero

quando eu sou desafiada, viro outra pessoa
acho que não me esforço pra ser entendida.
quando pensam uma coisa, eu me mostro outra só pra dúvida permanecer pra sempre.

nem é bem isso..

é tipo aquela coisa de
odeio quem chega com idéias formadas e imutáveis.
sinto logo vontade de jogar aquela dúvida em cima das certezas das pessoas, sabe...

acho ridículo quando vejo o ser humano formulando um julgamento a respeito de outros, difundindo aqele julgamento e os terceiros acreditando.

dá pra ver aquilo transparecendo no olhar, sabe...

se chegam com queixo de 'sou o fodão e sei que você me quer', desprezo
se chegam com interesse em compartilhar idéias, compartilho
e se chegam com idíasformadas fingindo que querem discutir o assunto, eu vejo, cara
eu sinto
e paro.

duvide de mim, e eu vou te menosprezar.
me desafie, e eu vou dar meu melhor, mesmo que eu perca.
e juro que nao sinto magoas
odeio gente competitiva demais, que quer porque quer ganhar.
eu deixo..
não tenho o menor problema


quer discutir daquele jeito burro, sem argumentos, continuando porque quer sair por cima?

já ganhou. não perco meu tempo falando com paredes, acredite.

domingo, abril 05, 2009

eu nem quero disfarçar nada
nem quero dizer também

quem eu quero não me quer
e quem eu não quero não me esquece

e

é uma coisa que fica guardada dentro, aqui

que eu só queria me abrir e soltar..

mas isso não tem nada a ver com as palavras antes do 'e' solto, ali

vai entender...

ou não entenda, melhor dizendo


esquecer não é perder

você acha, um dia, o que foi esquecido


o perdido, se perdeu por aí



e


eu nem entendo o que eu to sentindo agora
só sei q não é nem de perto positivo pra mim
talvez pro meu crescimento


e to com medo de dormir
porque tive pesadelo na noite passada
=)

terça-feira, março 31, 2009

spanish castle magic

Incrivel
musica
felicidade


rock'n'roll makes my life better
^^

oh, so insistent

deletei umas 30 linhas de pura merda, agora
=)

sem inspiração
de tpm
tem um pedaço de casca de pizza em cima da mesa
e tinha uma barata toda farceira na minha cozinha imunda...

eu to sentada, meu cérebro tentando trabalhar, mas parece que alguma coisa tá me bloqueando, me fazendo sentir essa energia estagnada e indescritível, irretirável, irremovível, agoniante e tão simples... ésó uma agonia sem sentido, acho que pq eu to morrendo de tpm.
não tem motivo, não tem como escrever e atirá-la pra fora de mim!

acho que foi a porcaria do sanduiche do burger king. meirmao, nunca comi um sanduiche tao ruim na vida. toda a porcaria de que ele eh feito deve tah me fazendo mal mental.



argh.

vazia, rasa, sem perspicácia...
minhas unhas mal pintadas, minha música entalada
por sinal, ela não quer sair!

vou ficar devendo um texto melhor pra essa música, que é título do meu texto.
ela é linda demais pra entitular tal mediocridade literária.


L.

sexta-feira, março 27, 2009

e eu queria saber qual é a sensação de não ser a única pessoa dentro de casa que gosta de musica dessejeito, oh.. às vezes eu queria trocar de lugar com a mamãe pra saber como é
acordar com alguém tocando dentro de casa...
porque pqp música ao vivo
por mais mal tocada que seja
transmite fudidamente o interior de você...
transmite intensidade
transmite quebra de solidão..
você se sente unificado com aquilo....


acho que não tem nada que me cause mais plenitude do que tocar oh...
escrever é a razão
tocar é a emoção.

memórias etílicas I

já que não tem com quem conversar, neh...
vou conversar sozinha
deixa eu lembrar de uns causos alcoolicos divertidos aqui...

hun...
um dia anes do reveillon do ano retrasado [ou foi re-retrasado?]
eu tava bebendo há uns três dias consecutivos, mas isso é normal. Já tava rolando um tédio de tanta maconha e cachaça... Daí o C, pra melhorar nossa noite pré-reveillon, fez a gentileza de distribuir rivotril entre as pessoas.
Eu tomei umas... hun... 40 gotas? eh.. acho que foi. umas 40 gotas com monte de cachaça. No começo, fiquei meio bebada, mas consciente. Deu uma crise de riso... O truco nunca foi tão emocionante. Daí, fui ficando mais psicopata... e minha memória fica turva a partir do momento em que eu resolvi entrar na piscina.
hehe

só sei que tirei a roupa de todo mundo que tava dentro da piscina, joguei a calcinha da I. no telhado da casa q a gente tava, no sítio de um amigo, tirei as cuecas de todos os homens, tirei minha propria roupa, saí dando uns beijos em todo mundo... e resolvi sair da piscina.. nua... hehehe.

eu lembro da M. me levando uma toalha, desesperada com minha falta de pudor, e do I. me carregando pra barraca. Ele era meu namorado, na época.
A gente começou a transar, eu sem forças, dormi no meio do ato!

Bem... Era rivotril, né? Não, anfetamina.

E viva o nudismo! E viva a loucura!
hehe

quinta-feira, março 26, 2009

corpo ou mente?

conquistas mentais
reformas espirituais
cuidado ao agir
modéstia ao comer
pra que?

sentir e fazer
beber e cair

será que ninguém entende que niilismo é esperança?

se arrepender... reação emocional é pura química corporal.

passar uma imagem desagradável
é simplesmente confirmar-se humano
um julga e condena, o outro erra e vive

pra mim, vida não é vida sem excessos, sem riscos.
pra mim, beber não é tomar 3 cervejas.
nem comer se limita a uma fatia de pão sem casca com queijo branco.
nem ler significa 3 páginas por noite, religiosamente.

o álcool demanda um constante fluxo por hora, de forma que nem embebede cedo demais, nem deixe de embebedar. ele pede uma constância até dar sono!
fumar

fumar junto é obrigatório... mais de uma carteira por vez...

ler um livro, é começar e terminar sem parar

as coisas só servem se forem completas.
se durarem até você cansar.

foda-se a moderação
e pau no cu do caminho do meio.
tem eh que andar em zigue-zague mermo, demorar mais a atravessar as vias, mas conhece-las a fundo, vivendo, e não passando por elas como num sonho. ou o fazendo... anestesia.
viver dói.

então, vamo biritar essa cerveja que o papo me deu vontade de ficar bebada e conversar sobre amenidades e morrer de rir. e jogar sinuca e fumar cigarro, e beber cigarro e fumar cachaça.
em meio ao caos, eis que surge mais um ciclone...
pequeno, discreto
mas estratégico.
bem num ponto fraco meu.

eu aprendi a lidar com brigas familiares
aprendi a lidar com antipatias imediatas
não sou de tentar correr de um problema que está realmente me incomodando, apesar de evitar perspicazmente (essa palavra existe?) os ignoráveis.
Sabe... Odeio briga, mas isso não quer dizer que eu não as enfrente quando eu preciso.

não sou uma pessoa orguhosa, tampouco. Quando eu estou errada, sei baixar minha cabeça, admitir meu erro e torcer por um perdão. Isso pra mim nunca foi sinal de fraqueza, e sim de sensatez.

Se eu perco minha cabeça e faço uma confusão muito grande, acredite: eu já tenho guardado minha raiva pela mesma coisa durante um bom tempo, ou estou passando por um momento de estresse no qual minha explosão seria iminente, de qualquer jeito, e por qualquer motivo. Acho que guardar rancor dá câncer, e basta meu cigarro pra provocar isso.

Mas quando eu acabo de soltar as bombas, o faço de forma que não sobrem nem as fundações daquilo que estava me incomodando. Então, no geral, não sinto raiva de ninguém.

De uma forma geral, sou bem comunicativa com pessoas que provocam meu interesse, e ignoro educadamente aquelas que não me causam simpatia.

Pelos meus amigos, eu faço o que eu posso e o que eu não posso. Se me ligarem às 10 horas da manhã (o meu horário de máximo aproveitamento do sono) com algum problema, pode ter certeza de que eu vou me levantar, apesar de meio rabugenta, e vou lá fazer o que estiver ao meu alcance e um pouco além disso.

Só que eu sou uma pessoa extremamente difícil de se conseguir confiança. Eu sempre ando com um pé de cada vez, tateando o terreno antes de pular nele, e acredite: eu consigo farejar hostilidade a mil quiômetros de distância.

E tem mais uma preliminar ao assunto: eu sou que nem criança curiosa. Vejo uma coisa, e acho que a quero com todas as minhas forças, mas meu interesse se vai tão rápido como veio intenso... Pra continuar me satisfazendo, sempre tem que ter uma novidade, ou um bom motivo. Resumindo: eu não consigo diferenciar direito as coisas que eu preciso e as que impõem que eu queira.

Dito isso, tenho um problema em mãos: um elemento novo apareceu na fórmula. Uma nova variável surgiu dentro do meu problema. E essa variável apareceu em apenas uma equação, no momento impossível de resolver, a não ser por aproximação, e ela tem um perfume único, um nome feroz e simplicidade admirável encobrindo a promessa de ser um dos melhores livros que eu já li na vida.

Sabe... Eu sempre encontrei um defeito imperdoável em todas as outras variáveis, algo simplesmente inaceitável, que eu sempre tentei perdoar, mas agora que vejo o que tenho em mãos, percebo que foi justamente o que fez com que elas não funcionassem comigo.
Essa variável não tem isso. Ela me fascina de trás pra frente, de frente pra trás, em todos os aspectos. Ela parece simplesmente perfeita aos meus olhos; é como uma utopia que encontrou o caminho pra realidade.

Ela fica vagando, se destacando nítida nos borrõesque o meu olhar sempre vê. Nítida e intocável, como num espelho. Ela é ainda melhor do que as descrições que eu tentei escrever nos meus textos de pessoas que desejo.
Sabe o que é ler parágrafos e parágrafos do que você supunha ser perfeição e simplesmente rir de como você estava longe de saber o que queria? Eu sei, agora.

E a sociedade fica te cobrando que você saiba o que quer, que escolha uma profissão... Agora eu entendi como é que eu vou saber: quando eu ver e não me imaginar fazendo outra coisa; assim como eu não me imagino escolhendo uma outra variável, por mais fácil que ela seja.

Minha variável apareceu em formato de ciclone em meio a vários ciclones que me habitam, mas ela atingiu um ponto incomum em mim: a ambição. E se eu dissesse que desde criança nunca senti apego a nada, talvez alguns não acreditassem.
Meus presentes de aniversário, eu costumava dar pras minhas primas porque eu as amava. Não é incomum eu tirar um livro da minha biblioteca e dar pra alguém que eu ame. É até ocasional... Não sou de ficar lutando pra reconquistar ex-namorados, ou ficantes... às vezes eu até me sinto uma pedra porque esqueço-os todos fácil demais... Acho que é justamente isso, até, que os faz demorar a me esquecer.

Mas essa variável, viu... Me fez querer de um jeito que eu nao sabia que era possível querer.

quarta-feira, março 25, 2009

mermão
quanto mais eu vivo
mais eu amo meu cachorro.

Rodney, vc é a razão do meu viver!
Te amo, baby!

terça-feira, março 24, 2009

10 de Ouros
Aceitando a boa sorte
O 10 de Ouros emerge do Tarot como arcano conselheiro para este momento de sua vida, Lays. A idéia deste arcano é clara: chegou o momento de gozar da boa fortuna, que resulta não da sorte, mas do esforço empreendido. Não se culpe por conseguir coisas que outras pessoas queridas não conseguiram. Não devemos nos medir pelos outros, mas aceitar o nosso próprio sucesso e fazer com que este sucesso sirva de exemplo para os demais. Saiba exercitar seu senso de abundância e você terá diversas oportunidades para distribuir generosidade pelo mundo, multiplicando a felicidade obtida. Há momento em que a sorte se manifesta. Aceite-a, simplesmente, sem culpas ou excesso de filosofias! Conselho: Multiplique a felicidade obtida.


que abundância? que felicidade? que porra de boa fortuna?

__
Overhead the albatross hangs motionless upon the air
And deep beneath the rolling waves
In labyrinths of coral caves
The echo of a distant time
Comes willowing across the sand
And everything is green and submarine
And no-one called us to the land
dAnd no-one knows the wheres or whys
But something stirs and something tries
And starts to climb towards the light
Strangers passing in the street
By chance two separate glances meet
And I am you and what I see is me
And do I take you by the hand
And lead you through the land
And help me understand the best I can
And no-one calls us to move on
And no-one forces down our eyes
And no-one speaks and no-one tries
And no-one flies around the sun
Cloudless everyday you fall upon my waking eyes
inviting and inciting me to rise
And through the window in the wall
Come streaming in on sunlight wings
A million bright ambassadors of morning
And no-one sings me lullabies
And no-one makes me close my eyes
And so I throw the windows wide
And call to you across the sky
some things need to be changed. Not by me, in fact. But they do need a change.
It's beautiful to see how money affects people's fucking life.

to hell with all of this.
if i end up dead, no one has the fucking right to judge me or criticize me.

domingo, março 22, 2009

hehe

meus planos ótimos de estudar não são funcionais.
passei o final de semana na gandaia.


ah, álcool. doce elixir que preenche meu vazio.

sexta-feira, março 20, 2009

entro precisamente às 05:27 da manhã no msn. Ninguém acordado. Penso em fumar um cigarro, enquanto decido o que fazer, mas lembro da gastrite. Foda-se. Vou fumar assim mesmo.
olho para o céu, e vejo os raios solares tingirem a paisagem de tonalidades incandescentes. Não tenho nenhum pensamento estimulante nem lembro de algo importante.
Não tenho nada pra fazer, nada em que precise gastar meu tempo.
Vou no google e pesquiso 'trabaho independente'. Passo a vista rapidamente nos resultados da busca, e uma palavra dentre várias parece se destacar: informática. Minha ambição mais promissora no momento. Isso ou tento minha sorte na literatura. No Brasil? Quase soa como piada. Então..
Objetivo: Engenharia da Computação, Cefet. Ciências da Computação, UFC, Unicamp e UECE.
Tem um momento na vida de um ser humano - eu, mais precisamente - em que ele define metas e tenta alcançá-las, ou endoida.
Acho que eu prefiro a primeira alternativa.
Essa minha vida de escritora anônima de um blog desconhecido está longe de me alimentar, apesar de me entreter.
A partir de hoje, pretendo manter um diário de como venho dedicando meu tempo pra conseguir o que eu quero.

Cansei de auto-piedade, narcolepsia leve e DDA.

meu tempo vai ser cuidadosamente dividido entre muito esforço e um pouco de descanso, ao contrário do que eu venho tendo há tempos: férias forçadas e indefinidas.

quinta-feira, março 19, 2009

solidão?

solidão.
Hoje eu tava dirigindo sozinha e pensando em como compreender e, consequentemente, descrever esse sentimento inconfundível pra quem sente.

Eu não posso dizer que não tenho amigos. Os tenho numa quantidade até meio incomum, dada a minha personalidade instável. Eu até chegaria a dizer que tenho sorte de poder contar com tantas pessoas, de receber tantas visitas inesperadas e sorridentes na minha porta, que nem simpatia esperam receber de volta.

Eu também não posso dizer que minha família não me apóia. Nunca recebi um não com que eu não pudesse lidar, nunca fui forçada a fazer algo que eu não quisesse e que poderia afetar meu futuro de forma irreversível, nunca me senti completamente desamparada. Quando eu mais precisei, alguem sempre esteve por perto pra me segurar quando eu bamboleasse, ou me consolar, caso eu caísse.

Já fui vítima de ruindade, mas isso até me ajudou a construir meu caráter de forma que me agrada em parte. Tenho que admitir que me tornei uma pessoa melhor, mesmo que não a que eu quis, por causa das coisas que eu sofri nas mãos de gente covarde quando era uma criança. Aprendi a ter um certo nível de sensibilidade, contrariando minha tendência à frieza.

Então, dito isso, porque ainda assim me sinto triste e sozinha quase o tempo inteiro?

Parece que tem uma parede entre mim e a maioria das pessoas. Parece que eu nunca consigo transmitir o que eu penso de forma clara e precisa, e por mais que todos estejam do meu lado, rindo comigo, conversando comigo, não estão realmente me compreendendo e vice-versa.

Um fator agravante é o fato de eu não conseguir me expressar direito, por causa do meu TDAH. Caralho, eu quero conversar, mas não consigo! Tudo se embaralha, fica emaranhado. Contudo, eu acho que até isso é contornável.

Bem... Recuperando a ponta da corda que eu deixei pendurada lá no começo: quando eu tava dirigindo, acabei por me achar numa profunda tristeza, aparentemente sem motivo nenhum. E não é uma tristeza com a qual eu possa batalhar. Não me agoniou, dessa vez. Não me fez perder a calma, nem a auto-estima. Simplesmente tomou conta do meu corpo, da minha alma, como se fizesse parte do mais íntimo do meu ser. E ela tinha um motivo: a bolha que me isola do mundo das outras pessoas.

Será que eu quero sentir isso? Será que inconscientemente eu me sinto melhor tendo uma razão pra me separar de todo mundo? Será que eu vou viver o resto da vida me sentindo um cacto na tundra?

Pelo amor de deus! Eu tenho uma mãe que me ama, apesar de às vezes ser um pouco fria. Tenho um pai, diferente de um monte de gente. Por mais que ele não esteja mais tão presente na minha vida, ele ainda tenta se fazer um pouco presente. Um mínimo...

Eu tenho um cachorro que me parece considerar a parte mais importante da vida dele, e pelo qual eu sinto um amor incondicional. Por mais que ele me machuque com as unhas dele quando vem pular em cima de mim, por mais que ele me babe toda, por mais que me morda, que me desobedeça pelo puro prazer da brincadeira (sério, ele tem um senso de humor muito mórbido e obscuro), eu não deixo de tê-lo como parte indissociável da nossa pequena família.

E, por fim, eu tenho amigos. Eles não são o que eu desejei. São mais, são melhores do que eu poderia querer. Por serem todos longes da perfeição, por terem o direito de me contradizer e de me criticar, eu os amo. Porque, também, eles me apóiam e me acompanham, erram e acertam nos próprios erros.
mel, igor, priscilla, louco, marivaldo, maomeh, taís, renata, raquel, rafael, luã, e outros não citados mas não menos importantes... Eu fico triste em saber que alguns deles vão se distanciar, ou já se distanciaram, mas eu sei que outros vão aparecer também.

Eu não tenho uma vida de burguesa, 5 estrelas, mas vivo bem. tenho as coisas materiais que eu preciso, não tenho muitas que eu queria, mas que são supérfluas, e ainda assim, tenho muitas muitas coisas que eu não preciso. Eu não passo fome, tenho um teto, tenho meus instrumentos, livros, tintas, canetas, bits de informações...

Tive amores profundos e paixões, e também acho que foram mais do que muita gente já teve. Nesse âmbito, não tenho muito do que reclamar, a não ser do deduzível: estar só faz você querer estar acompanhado, e estar com alguém te faz desejar a solidão e o espaço.

Acho que eu me reprimo um pouco, contudo, quanto à minha personalidade. Mas talvez seja melhor assim. Sou muito explosiva, e ímpar nas minhas convicções. De dentro de mim vazam, muito facilmente, defeitos de caráter que não consegui, ainda, superar. Afinal, tenho só 21 anos, caralho. Eu bem que poderia ser um prodígio, é verdade. Existe muita gente muito melhor que eu, em infinitos aspectos. Mas eu sou só uma pessoa comum. Então... Porque me culpar? O ser humano tem uma premissa básica: vai errar e acertar, invariavelmente, ao longo da vida. E todo acerto é confortador, mas todo erro é instrutor. Então, sempre tem uma vantagem em tudo, só é preciso achá-la.

Certo. Mas e agora?
O que eu faço quanto ao meu abismo?
Algumas pessoas dizem que solidao é não conhecer a si mesmo.
Outras dizem que é incurável, posto que é impossível transitar por mentes alheias.
Alguns, ainda, acham que é falta de amigos de verdade.
E há mais variantes pra essa pergunta. Muitas, de fato: falta de fé, excesso de timidez, uma qualidade, etc etc etc.

Eu, pessoalmente, concordo com as descrições da maioria das pessoas. Contudo, nenhuma delas parece trazer a essência dessa palavra ao mundo da lógica e da linguagem.

E todos parecem ter contornado astutamente a pergunta mais importante: porque me tornei solitário(a)?



merda de texto ta parecendo um coco desses de auto-ajuda.
eu sinto tudo isso, mas que assunto mais clichê.
e que jeito de escrever cú, ta parecendo um autor ruim que eu já li. tão ruim, de fato, que eu nem lembro o nome.




ahhhh mermão
esse post é só pra dizer uma coisa: lays, vai tomar no cú.
;P

merda. se eu não me conhecesse, eu diria que eu sou emo.
mas isso, é claro, é impossível, dada a qualidade inferior desse tipo de música.


vou ali ler um livrinho oitentista mo limpeza, de um cara que se salvou, esteticamente falando, dessa época: william gibson.

sábado, fevereiro 21, 2009

ô lelê
ô lalá


ô vai tomar no cu
que eu to morrendo de dor de cabeça!










que dia ruim, viu!
pelo menos pior que hoje amanhã não pode ser!
;P


sei lá o que eu tinha hoje.
resquicios de tpm!

mas somos um produto do meio; porque nos culpar?

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Tem alguma coisa nas auroras nubladas...
Cores frias, luz difusa...

É como se soprasse uma brisa com cheiro de Jasmins, um arco-íris surgisse bem acima da minha cabeça, e o mar estivesse sob um chão de vidro onde eu estou sentada. Eu fecho os olhos e consigo ouvir uma música inimaginável por mentes humanas, tão complexa que me leva a um êxtase profundo e abençoado.
E eu só permaneço lá, escutando aquela música ressoar por todos os cantos do meu corpo.
na verdade, ela é o arco-íris e é o mar, é a luz do sol e as nuvens que o encobrem.
Enquanto eu estou lá, na minha cabine de vidro, começa a cair uma fina chuva, e o mar me embala num cochilo.

Então, minha cabine transparente começa a balançar com mais força e eu recobro a consciência num susto; a chuva começa a se avolumar, e o mar vai se tornando cada vez mais bravio. O arco-íris sumiu, o cheiro de jasmin foi obliterado pela maresia, e a música de repente se transforma em gemidos e gritos. O vidro começa a rachar; agora, há uma tempestade com muitos trovões e berros, que acabei de perceber que vêm de mim.

Minha cabine quebrou e eu caí no mar, cortada por alguns pedaços de vidro. As ondas me jogam aleatoriamente de um lado para outro, para cima e para baixo da superfície, e minhas lágrimas insignificantes se juntam às ondas implacáveis.
Meu consciente é obliterado pela falta de oxigênio.

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